Eu aprendi com essa vida insolente que coração de gente frágil caí por terra e desaba ensanguentado, sabe? Estilo espetáculo de terror. Sabichona como sou, resolvi fincar os pés em minha própria alma, com o único e benigno propósito de não me perder por entre braços e olhos, tiros no escuro, medo e escuridão. Ignorei completamente os ensinamentos de gente letrada em faculdade cinco estrelas porque entendi, de tão súbito, que enquanto o sinal está aberto e as crianças correm, literatura faz pouco sentido. Mas não largo meu amor pela mesma. Leio, aprendo, ouço, anoto e escrevo, pois faz-me sentir-me mais completa, como um recipiente de vidro transbordando, prestes a estilhaçar em mil pedaços, com mil cores e mil formatos.
Eu acordei às quatro horas da manhã e, refletido no espelho, vi uma peônia delicada, formosa em cada pétala, ao invés da moça bagunçada, pendulando entre a linha da vida e morte - tal era eu. Notei minha mania inconveniente, como amante da poesia, de escrever sobre flores, mas não pude obrigar-me a largá-la assim, pois é pura e sincera a menção carinhosa de tais beldades. Você, querido leitor que tenta decifrar-me nesse momento, consegue entender-me? Gosto de escrever e usar, em minhas singelas composições frásicas, metáforas e traços poéticos, para que as palavras tenham um efeito profundo, duradouro - e é simples, assim.
Eu também aprendi que as músicas antigas trazem sensações nostálgicas e delas devemos fugir, pois torturam sem deixar marcas ou vestígios explicativos. Hoje, meus professores são esses acasos ao avesso que esbarram em meu braço e não se desculpam pelo transtorno. Minha fonte inesgotável de combustível são os livros que carrego, é a chuva, os raios solares e a paixão por essa escrita incompreensível inundada de tangentes. E a vida, é claro, que transforma-se, espertamente, em mais que presente.
Eu aprendi, cansei, canso. Procuro alcançar verdades apalpáveis mas canso, retiro os sapatos, corro descalça. Se você, querido apreciador de palavras alheias, quer continuar tomando doses de mim, revelo, te conto, mostro como sou.
Chovo junto com a chuva, purifico, hidrato, rejuvenesço. Escuto a música e ela é tão boa que a vida acaba, se cala para ouvir, paralisa os segundos, os semáforos, os vendavais; mas a morte não existe. Eu deixo-me dominar por surtos de inspirações danados à beça, que pegam-me de supetão e burlam a hora marcada. Abrigo num corpo tão pequeno sentimentos opostos, vontades insanas e lágrimas que parecem sorrir, tão zombeteiras. Aí vou me perdendo na busca por mim mesma, por respostas para perguntas ainda não formuladas e textos para por pontos de interrogações aleatórios. Meu maior desejo é morar numa casa sem teto com paredes de vidro, bem longe, em lugar nenhum, para que as estrelas cubram cimento e eu possa acordar com os primeiros raios da manhã. Não quero proteção, quero céu, cor azul, fragrância das flores, brisa gélida e inspiração para singelos poemas escritos em prosa. Eu fascino-me com as cores cuja nome não faço ideia, envolvo-me com livros de todos os gêneros possíveis e vivo vidas que não são minhas. Personifico papel, sinos e estações, porque sei que eles também respiram; o som, porém, é silencioso e imperceptível, já que não há narina, apenas essência. Disseram-me que branca mesmo era a tez da manhã, e agora meus olhos escuros almejam um contraste ao acaso. Se paz sem voz não é paz, mas medo, então grito, expulso sentimentos parasitas, faço-me trator e demulo a mobília, tanto real quanto metafórica. Não evito, não controlo, apenas chovo junto com a chuva, purifico, hidrato, rejuvenesço, porque sou corpo humano com alma de flor. Flor daquelas que se desfazem com o vento e precisam de amor para brotarem, mas sempre caem por terra nos mal-me-quer, bem-me-quer. Flor do tipo que guarda uma fragrância misteriosa e entrega a alma para poetas que fazem delas uma obra de arte. Eu sou eu porque não sei ser outro alguém, e aí confundo, baralho conceitos e sentimentos como se eles fossem rei e rainha de copas. Eu corro, eu fujo, me afasto e deixo uma carta sobre a cômoda: “Dessa vez, talvez não volte”. Verbalizo sensações e pedaços que cato de mim mesma, faço reconstruções dos meus castelos e masmorras, tento seguir um protótipo de “humano ideal” mas me perco. Acho, inclusive, que essa é a grande verdade da minha vida.
Eu aprendi, cansei, canso. Procuro alcançar verdades apalpáveis mas canso, retiro os sapatos, corro descalça. Se você, querido apreciador de palavras alheias, quer continuar tomando doses de mim, revelo, te conto, mostro como sou.
Chovo junto com a chuva, purifico, hidrato, rejuvenesço. Escuto a música e ela é tão boa que a vida acaba, se cala para ouvir, paralisa os segundos, os semáforos, os vendavais; mas a morte não existe. Eu deixo-me dominar por surtos de inspirações danados à beça, que pegam-me de supetão e burlam a hora marcada. Abrigo num corpo tão pequeno sentimentos opostos, vontades insanas e lágrimas que parecem sorrir, tão zombeteiras. Aí vou me perdendo na busca por mim mesma, por respostas para perguntas ainda não formuladas e textos para por pontos de interrogações aleatórios. Meu maior desejo é morar numa casa sem teto com paredes de vidro, bem longe, em lugar nenhum, para que as estrelas cubram cimento e eu possa acordar com os primeiros raios da manhã. Não quero proteção, quero céu, cor azul, fragrância das flores, brisa gélida e inspiração para singelos poemas escritos em prosa. Eu fascino-me com as cores cuja nome não faço ideia, envolvo-me com livros de todos os gêneros possíveis e vivo vidas que não são minhas. Personifico papel, sinos e estações, porque sei que eles também respiram; o som, porém, é silencioso e imperceptível, já que não há narina, apenas essência. Disseram-me que branca mesmo era a tez da manhã, e agora meus olhos escuros almejam um contraste ao acaso. Se paz sem voz não é paz, mas medo, então grito, expulso sentimentos parasitas, faço-me trator e demulo a mobília, tanto real quanto metafórica. Não evito, não controlo, apenas chovo junto com a chuva, purifico, hidrato, rejuvenesço, porque sou corpo humano com alma de flor. Flor daquelas que se desfazem com o vento e precisam de amor para brotarem, mas sempre caem por terra nos mal-me-quer, bem-me-quer. Flor do tipo que guarda uma fragrância misteriosa e entrega a alma para poetas que fazem delas uma obra de arte. Eu sou eu porque não sei ser outro alguém, e aí confundo, baralho conceitos e sentimentos como se eles fossem rei e rainha de copas. Eu corro, eu fujo, me afasto e deixo uma carta sobre a cômoda: “Dessa vez, talvez não volte”. Verbalizo sensações e pedaços que cato de mim mesma, faço reconstruções dos meus castelos e masmorras, tento seguir um protótipo de “humano ideal” mas me perco. Acho, inclusive, que essa é a grande verdade da minha vida.
"Eu me perco..."
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