segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O arco-íris mágico

Era uma vez uma pequena vila rústica com aparência humilde e famílias trabalhadoras, que haviam construído suas moradias com as próprias mãos. Um dia, um temporal chegou com muita força, amalgamando terra, água e madeira. Todos ficaram preocupados, fizeram suas malas e cogitaram ir embora para qualquer outro lugar, pois eles corriam risco de morte alí. As crianças ficaram com muito medo e seus pais tentaram desesperadamente reconfortá-las dizendo: “Fiquem calmos, meus filhos. A tempestade irá fazer suas trouxas brevemente e nos deixará em paz e em perfeita segurança novamente. Vocês verão, quando toda essa chuva passar, um lindo arco-íris irá surgir.” Com lágrimas escorrendo pelo rosto, as crianças assentiram.
Então, como previsto, três dias depois, o temporal foi embora, levando consigo toda a tristeza que havia trazido para aquela adorável vila, e deixando em seu lugar um arco-íris sobre um céu limpo.
Apesar de todo aquele caos ter tido um fim, os estragos causados por ele não foram pequenos. As casas estavam praticamente destruídas, a terra fértil que antes servia como fonte de alimento havia dado lugar às poças e os sorrisos que haviam se formado no rosto dos moradores desapareceram. Quando o desespero começou a invadir a alma dos pais desconsolados, uma criança foi conversar com o arco-íris, pois sabia que ele era mágico e nada custava tentar pedir ajuda.
Thalia, uma menina de seis anos, doce e inteligente, arriscou-se e apresentou-se:
- Com licença, Seu Arco-íris. Meu nome é Thalia e eu moro nessa vila. Sei que você está ocupado embelezando nosso céu, mas será que o senhor poderia nos ajudar a reconstruir a nossa vila? A tempestade que estava aqui antes de você destruiu nossa casa e esmagou nossos sonhos.
Para sua surpresa, o arco-íris retrucou:
- Olá, minha querida. Fico feliz em saber que ainda existem crianças que crêem no meu poder e na minha magia. Será um prazer ajudá-los, mas vocês terão que fazer a sua parte. Eu posso afastar todos os males, todas as chuvas, todos os raios por quanto tempo for necessário, mas não posso descer até aí e construir a vila para vocês. Estamos de acordo?
- Sim! Mas como irei convencer todas as pessoas de que precisamos agir? Ninguém quer saber de fazer. Só querem chorar. Chorar e reclamar.
- Minha querida, tome uma iniciativa. Mostre que você, mesmo com sua pouca idade, possui perseverança e esperança. Mostre sua determinação doce. Fale baixo, e todos a ouvirão.
Thalia, alegre e ansiosa, retornou para sua vila e passou o recado para seus amigos. Em conjunto, todas as crianças da vila deixaram suas casas e começaram a fazer tudo o que podiam, mesmo não passando de pequenos atos, mas esforçando-se em cada um deles. Os pais, amigos, parentes e moradores logo perceberam a avidez e a força de vontade daquelas frágeis crianças e sentiram-se culpados por chorar e reclamar (exatamente como Thalia disse que faziam!) quando podiam simplesmente sorrir, pegar um prego, e pregar uma madeira na outra.
Algumas semanas se passaram. Logo todas as casas estavam prontas, as famílias ficaram felizes, e o arco-íris permaneu em seu lugar, bem como o prometido. Thalia percebeu que tudo estava perfeito, e a presença do arco-íris não era mais necessária. Como fazia quase todos os dias, ela foi até ele e disse: 
- Amigo arco-íris, muito obrigada. Está tudo terminado. Recuperamos nossas vidas, criamos novas expectativas, fortalecemos nossos sonhos e estamos mais felizes e unidos do que nunca. Mas… E agora? Para onde você vai? Fique conosco, por favor. A vida melhorou tanto depois de você! Por favor, por favor, fique conosco!
- Minha querida Thalia, eu é quem tenho que lhe agradecer. Você é uma menina muito forte e precisa ser forte agora também. Passei muito tempo com você e adorei. Protegi sua vila, lutei contra tudo o que prometi. Mas outras famílias precisam de mim. Preciso ajudar outras crianças que tiveram seu sonhos destruídos, como você. Você tem que me deixar partir.
Então, reunindo toda a coragem do mundo, a menina percebeu que a missão do arco-íris nunca acabaria. Ele nunca iria morar em algum lugar, nunca poderia viver com ela. Mas, como uma boa amiga, ela jamais o esqueceria ou deixaria de acreditar em sua magia.
Antes de voltar para sua família, que esperava do outro lado, sorriu para o arco-íris, lhe agradeceu mais uma vez e, sem olhar para trás, sussurrou "Adeus".

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